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Função Socioambiental das Coberturas

Conceituação, Tipologia de Soluções e Regulação

Giselle Mendonça Abreu, Rafael Chasles, Alexandre Fontenelle-Weber, Fernando Mello Franco, Bárbara Frutuoso, João Guimarães, and Riciane Pombo

October 2026, Portuguese

Lincoln Institute of Land Policy


Em um momento de crise climática, é fundamental pensar como o ambiente construído das cidades pode contribuir para os esforços de mitigação e adaptação. Por isso, no presente trabalho, examinamos o potencial de contribuição socioambiental das coberturas, dos telhados e das lajes de edificações, a partir de uma reflexão sobre o caso de São Paulo, como exemplo de metrópole do Sul Global. As coberturas de edificações representam uma parcela significativa das áreas livres construídas das cidades, mas são espaços normalmente subutilizados e invisibilizados da perspectiva da regulação urbanística. No entanto, estudos vêm apontando, de forma promissora, o potencial das coberturas articuladas em rede para contribuir a processos de transição ecológica, por meio da incorporação de novos usos e estruturas.

Nosso estudo propõe avançar esse debate a partir de algumas perspectivas: a conceituação das coberturas e de seu potencial socioambiental; a caracterização de possíveis soluções e a identificação de fatores e critérios que influenciam sua implementação em um contexto urbano do Sul Global; e o delineamento de diretrizes para políticas públicas de fomento, considerando a centralidade do combate às desigualdades e vulnerabilidades socioespaciais. Primeiramente, adotamos a ideia de “função socioambiental das coberturas” como indicação normativa do valor potencial desses espaços para a coletividade e para o ecossistema de maneira ampla. Nesse sentido, propomos pensar o uso sustentável das coberturas como elemento integrador de serviços ecossistêmicos urbanos, por meio da articulação de Soluções baseadas na Natureza (SbN) em uma rede de Infraestrutura Verde-Azul. Em chave prática, analisamos quatro tipos ideais de SbN em coberturas – telhados verdes extensivos, telhados verdes intensivos, telhados verdes-azuis intensivos e hortas em coberturas – sistematizando seus benefícios, critérios de implantação e projetando sua inserção territorial no contexto das macroáreas estabelecidas pelo planejamento urbano de São Paulo. Por fim, também apresentamos possíveis caminhos de avanço regulatório como subsídio para uma política de fomento às coberturas sustentáveis no
município.


Keywords

Adaptation, Climate Mitigation, Resilience, Sustainable Development